GRAVIDADE

É sério. Tanto quanto essa força antes do fato. Ou da Terra sobre os nossos ossos. Como fúria, maremoto. Que arranca gramas do nosso terraço.

É grave. Tanto quanto essa febre antes da explosão. Erosão. Ou das melhores intenções sobre a nossa pele. Como beijo, rastro. Que ocupa parte do nosso espaço.

É muito. Tanto quanto esse silêncio antes do tempo. Ou do medo que vence pelo cansaço. Como certo, errado. Que nada pode mudar os fatos.

 

É festa. Tanto quanto esse burburinho todo aqui dentro. Ou do grito acordando toda a vizinhança. Como banda, esperança. Que toca sem partitura ou cobrança.

 

É lindo. Tanto quanto tudo aquilo que não pode ser descrito. Ou do estribilho que insiste na percepção. Como medida, balão.  Que enche os olhos pelo espanto.

 

É tudo isso. Tanto quanto essa gravidade que insiste em se fazer presente. Ou da gravidez que me fez completamente. Ser ar, você e agora ela.

 



Escrito por Gabriela Kimura às 18h01
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